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Biografia - Profª Arlinda Pessoa Morbeck

 

Nasceu Arlinda Pessoa Morbeck, aos 04 de abril de 1889 na cidade de Salvador capital do Estado da Bahia, tendo sido seus pais o desembargador Arquimedes Secundino Martins da Silva e Maria Autímia Aragão Pessoa.

Aos 17 anos, colou grau no Instituto Normal da Bahia tendo sido logo após nomeada para lecionar na Terceira Escola do distrito da Penha na capital Baiana.

Aos 10 de junho de 1911, casou-se com o engenheiro José Morbeck, que viria depois se projetar marcantemente no cenário político de Mato Grosso. Fixou residência em Cuiabá, capital do estado onde seu esposo foi nomeado Diretor do Departamento de Terras, Minas e Colonização através do Ato nº 462, de 28/01/1913, Doc. Registrado no livro AB nº 13 do Arquivo Público do Mato Grosso.

Na Capital mato-grossense permaneceu até 1915, quando mudou juntamente com seu marido para a fazenda Patagônia de propriedade da família. Essa fazenda ficava próximo ao município de Barra do Garças-MT. Neste local já com seus seis filhos: Walton, Circe, Nilce, os gêmeos Milton e Newton e Clinton nascidos nesta fazenda, e como mãe muito dedicada relatou com grande orgulho o nascimento de cada um deles no livro que denominou "Heróis das Selvas": "Clinton, o primeiro ente que viu a luz do dia nesta plaga selvagem de 40 léguas quadradas onde o diamante habita no leito dos ribeiros e nos monchões arenosos, sobre a música das araras azuis, das aves e dos passarinhos sobre as palmeiras extensas e as florestas seculares".

Escreveu também o livro "Os Domingos da Fazenda Patagônia", onde na sua introdução, porque era assim que a poetisa escrevia, sempre seguindo as normas de um livro: prefácio, dedicatória e sumário, ela explica o motivo com que está escrevendo: "Este livro será o bálsamo de minhas chagas aberta por uma criciante saudade no meu sensível coração. Nas selvas, nas paragens, inviais do leste mato-grossense, o escreverei insuflada por meu pensamento. É esta a realidade da vida!..."

Foi morando tão distante que a poetisa teve que se mostrar essa mãe dedicada, onde tinha que, por muitas vezes, guardar dentro de si ou em caneta e papel para expressar os relatos de sua alma feminina: suas angústias, saudades, solidão, para não demonstrar aos filhos, pois foi a eles também o pai na ausência do mesmo, mas fez da infância de cada um, momentos inesquecíveis, mesmo vivendo longe de um convívio com o restante da família e de um conforto melhor, teve cada um os desejos de infância realizados.

Posteriormente foi nomeada para as escolas urbanas da prelazia do Registro do Araguaia-MT, Hoje Araguaiana-MT. Passando a lecionar nesses agrestes sertões para onde transferiu seu domicílio.

Durante os anos convividos ali, professora Arlinda promovia festas e festivais culturais, época em que Registro do Araguaia teve suas glórias e destaque entre as cidades mato-grossenses.

A nova posição do marido de Arlinda Pessoa Morbeck defensor dos direitos e interesses dos garimpeiros contra as injustas pretensões tributárias do governo de Mato Grosso, fato que determinou conflito armado chefiado pelo mesmo, tornou sobremaneira agitada a vida de nossa biografada, a qual, a despeito dos ásperos contratempos, continuou exercendo o magistério, com dedicação e desprendimento; chegando a alfabetizar mais de 3.000 alunos dentre os quais, muitos índios bororos e carajás.

Nomeado seu marido Prefeito de Alto Araguaia em 1924, passou a lecionar nesta cidade nas Escolas Reunidas e no Instituto Maria Auxiliadora da congregação Salesianas, prosseguindo infatigavelmente, em campanha apostolar de alfabetização.

Dedicou, sem esmorecimento ao progresso e desenvolvimento da cidade de Alto Araguaia, bem como à Congregação Salesiana local, de cujos padres e irmãs foi ativa e esforçadíssima colaboradora. Às mesmas proporcionou relevantes benefícios.

Em sua homenagem, por ter sido a primeira professora de Alto Araguaia, a Unidade Escolar Estadual do bairro Aeroporto leva o nome de Escola Estadual "Arlinda Pessoa Morbeck".

Em 1940, por motivo da educação superior de seus filhos transferiu sua residência para Valparaiso, estado de São Paulo, onde foi nomeada pelo governador do estado de São Paulo, passando a lecionar na Terceira Escola Municipal, anexa ao Grupo Escolar, posto em que permaneceu até 1942, quando por imperativos de saúde afastou-se do magistério, ao qual não mais pôde retornar.

Cronista ágil e de aguda observação, e poetisa de alta inspiração, durante largos anos desenvolveu intensas atividades literárias, escrevendo para 18 jornais nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro.

Desde 1940, colaborou grandemente com o jornal "O VALPARAISO" quer em prosa quer em poesia, tendo sido muito apreciada e popularizadas as crônicas que traziam o pseudônimo de Tesourinha, escritos que sempre assinalavam de maneira sugestiva os mais variados aspectos da cidade de Valparaíso.

Toda a obra literária de Arlinda Pessoa Morbeck, produzida em Valparaíso refletia o apurado amor e dedicação voltados a esta cidade, de cuja vida, em todos os setores, participou com entusiasmo devotamento e carinho, dedicando-lhe todo o brilho de sua extraordinária inteligência e os frutos de sua preciosa cultura.

Valparaíso homenageia a professora, poetisa e literata, com seu nome à Escola Estadual "Arlinda Pessoa Morbeck".

Deixou escritos 18 volumes ainda inéditos, entre poesias e crônicas. Apenas uma coletânea denominada Poesias, foi editada artesanalmente pelo historiador Valdon Varjão na cidade de Barra do Garças - MT, após a morte da poetisa. São cinqüenta exemplares que foram distribuídos à família Morbeck e amigos.

Arlinda tinha um grande desejo de ver suas obras publicadas conforme veremos num poema-desabafo escrito por ela:

"Não é vaidade, é um desejo somente,

que tenho de te ver encadernado

meu fiel companheiro, o confidente

dos meus segredos! Oh!... Meu livro amado!

Quantas vezes meus dias tristonhos

suavizastes com teu meigo encanto!

precioso relicário dos meus sonhos,

que contém os mistérios do meu pranto!

Quantas vezes chorando eu te escrevia

deixando nas tuas páginas a confissão

da amargura cruel que padecia

o deserto de minha solidão!

Quantas vezes recordando ausente

em ti um ameno alívio eu encontrava

minha pena te escrevia lentamente

gemendo sobre ti quando eu chorava!

Não é orgulho nem também vaidade

meu desejo de te ver encadernado,

em cada letra tens uma saudade

em cada página lembras meu passado".

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Aos meus Filhos,

Minhas Filhas:

Nilce - Dirce

Eis mais um livro que escrevo, "Rumores" é o seu nome.

Vocês que são moços, devem compreender os "Rumores" de um coração sensível e isolado, que palpita nos arrobos da Inspiração!...

"Rumores" é o n° 18 dos meus livros ainda inéditos. É meu maior ideal vê-los publicados. Faltam-me recursos pecuniários para atingir este ideal!

Arlinda Pessoa Morbeck

Agravando seu estado de saúde veio a falecer aos 71 anos de idade, em 12 de julho de 1960, na cidade de Valparaíso, que a prateia como uma de suas maiores professoras e como a maior de suas literatas.

"Arlinda Pessoa Morbeck foi considerada pela UFMT, a 1ª poetisa dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul através de uma pesquisa coordenada pela professora Hilda Gomes Dutra Magalhães, Pós-doutora em Estudo da Teoria Literária, realizada em 1.998".

Seu neto Milton Pessoa Morbeck Filho, não pôde publicar suas obras apesar de imensa vontade. Mas, satisfazendo parte do desejo da escritora, está revelando ao público, neste site, um pouco do seu trabalho que merecidamente a fez ser considerada a 1ª poetisa dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

MILTON PESSOA MORBECK FILHO

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